A cidade de Goiânia já foi referência nacional por suas praças floridas, ruas bem cuidadas, limpeza urbana impecável, além de ter o privilégio de ser uma das únicas capitais brasileiras sem favelas ou bolsões de pobreza.
Mas a capital de Goiás vem, ao longo dos anos, despencando nos indicadores nacionais de qualidade de vida, como aqueles que medem os sistemas de saúde, educação, mobilidade, transporte, segurança, inovação, transparência, gestão fiscal, governança, entre outros temas.
Publicados por institutos, universidades, organizações não governamentais e entidades públicas, estes estudos servem não só para aferir a qualidade, eficácia e eficiência dos serviços oferecidos pelo poder público, bem como para comparar a cidade com suas vizinhas, similares ou concorrentes.
Um bom exemplo é o estudo ‘Evolução regionalizada das admissões para o mês de janeiro (2018-2025)’, publicado pela Grupom, empresa de pesquisa dedicada ao comportamento do mercado e de consumidores.
Utilizando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), o instituto avaliou a evolução do mercado de trabalho em Goiás, utilizando dados referentes ao mês de janeiro, no período de 2018 a 2025, dividindo o Estado em três áreas específicas:
- Interior do Estado (229 municípios / 4.461.061 habitantes);
- Região Metropolitana de Goiânia – RMG (16 municípios / 1.069.371 habitantes);
- Cidade de Goiânia (1.414.483 habitantes)
Pelos números apurados pela Grupom, a cidade de Goiânia empregou 17.461 trabalhadores com carteira assinada em janeiro de 2018; a RMG, 7.109; e, o interior, 26.203. Já em 2025, enquanto a capital contratou 30.871 trabalhadores formais; a RMG, 13.482; o interior despontou com 50.490 contratações.


Atração e retenção de mão de obra
Para o diretor-executivo da Grupom, Mario Rodrigues Neto, responsável pelo estudo, a segmentação adotada possibilita uma compreensão mais aprofundada do desempenho e das dinâmicas de contratação em cada área, contribuindo para o desenvolvimento de estratégias regionais focadas na otimização dos processos de atração e retenção de mão de obra.
Ele explica que, com base na análise das taxas de crescimento acumulado e composto anual (CAGR - compound annual growth rate), o estudo fornece subsídios técnicos e estratégicos para gestores e formuladores de políticas públicas, evidenciando os desafios e oportunidades no cenário do mercado de trabalho em Goiás.
“Com o maior CAGR de 9,8% e a maior proporção de admissões, o Interior se estabelece como o principal centro de expansão. Isso indica a possibilidade de implementar políticas que incentivem o desenvolvimento regional, dada a maior disponibilidade de mão de obra”, observa Mario Filho.

da capital
“Sob nova gestão”
Às vésperas de completar 100 dias de mandato, o prefeito Sandro Mabel investe na antiga estratégia do “Mutirão”, ação imortalizada pelo ex-prefeito Iris Rezende, que consiste em uma frente de obras e serviços em uma determinada região da cidade, como solução paliativa para recuperar a sensação de abandono e elevar a autoestima da população.
Mas o principal problema do prefeito é aquele que os olhos da população não conseguem enxergar. Dados preliminares de auditorias apontam dívidas da prefeitura superiores a R$ 3,6 bilhões. Só a Comurg (empresa de limpeza urbana), acumula débitos de R$ 2,3 bilhões. Outros grandes rombos também foram identificados na Saúde e no Instituto de Previdência dos servidores.
Empresário hábil e competente da iniciativa privada e líder habilidoso e articulado do movimento classista, Sandro Mabel acumula superávit em seus balanços empresariais até então. Agora, como gestor de uma máquina pública, é provável que ele mande, mas nem todos obedeçam.
Nesse contexto, Mario Neto acredita que o atual prefeito de Goiânia precisa implementar estratégias inovadoras para retomar e garantir a relevância
da capital no contexto estadual, considerando o amadurecimento e a
complexidade do mercado de trabalho atual.
“A média salarial na capital (R$ 2.078,00) ainda é maior do que no interior (R$ 1.976,71), mas isso já não está sendo suficiente para segurar o trabalhador, que pode estar levando em conta uma maior qualidade de vida e um custo inferior ao de Goiânia”, observa.
Recorde de novas empresas
Segundo a Junta Comercial de Goiás (Juceg), foram registradas no Estado 38.306 empresas em 2024 (os dados consideram apenas as empresas que não se enquadram no perfil do Microempreendedor Individual - MEI).
Contabilizando as empresas com CNPJ ativo (571.736) e os MEI (635.104), Goiás soma, em fevereiro de 2025, 1.206.840 empresas, sendo 30,4% instaladas em Goiânia.
10 cidades com mais empresas em Goiás
Fonte: Juceg (Dez/2024)
- Goiânia (360.716)
- Aparecida de Goiânia (89.582)
- Anápolis (69.157);
- Rio Verde (38.576)
- Valparaíso de Goiás (26.030)
- Luziânia (25.695)
- Águas Lindas de Goiás (23.447)
- Senador Canedo (21.393)
- Caldas Novas (20.307)
- Trindade (20.148)

Goiânia, além das flores...
Em qualquer ranking nacional, a capital de Goiás tem que estar entre as 10 melhores cidades do Brasil; senão, é demérito
Ranking de Competitividade>>
138º posição no Ranking de Competitividade dos Municípios, do Centro de Liderança Pública (CLP), cujo propósito é estimular a competitividade na gestão pública e balizar decisões de investimentos do setor privado.
Nível de transparência>>
23ª posição, entre as 26 capitais, com pontuação inferior a 20% no Índice de Dados Abertos para Cidades (ODI 2023) da Open Knowledge Brasil (OKBR)
Favorabilidade para o Turismo>>
9ª posição, entre as 26 capitais, com 42,79 pontos, no Índice de Favorabilidade para o Turismo (IFT-GKS), da GKS Inteligência Territorial, estudo que avalia a capacidade de cidades em atrair e sustentar o turismo de forma competitiva
Qualidade de vida>>
27º lugar no índice ‘Desafios da Gestão Municipal (DGM)’, da MacroPlan Analytics, que avaliou a qualidade de vida das 100 maiores cidades brasileiras
Saneamento básico>>
22ª posição no ‘Ranking do Saneamento com o foco nos 100 maiores municípios do Brasil’, do Instituto Trata Brasil, com informações do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
Limpeza pública>>
22º lugar entre as 27 capitais onde a população estava insatisfeita com a limpeza pública da cidade, conforme pesquisa do Instituto Veritá (dez/2024)
Com informações, Grupom, Junta Comercial de Goiás (Juceg).
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