
O presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Donald Trump, anunciou (2/04/25) um ‘tarifaço global’ sobre impostos de importação. A data foi nomeada pelo republicano como o “Dia de Libertação”.
Trump prometeu implementar tarifas recíprocas a países que cobram taxa de importação de produtos americanos. No evento, ele anunciou tarifa de 20% sobre a União Europeia, 34% sobre a China e 46% sobre o Vietnã. Os produtos brasileiros foram taxados em 10%. O presidente confirmou, ainda, uma taxa de 25% sobre todos os veículos importados.
Em transmissão da Casa Branca, ele disse que a aplicação das tarifas aos outros países “é uma medida gentil” que tornará os “Estados Unidos grande novamente”.
Segundo Trump, as tarifas recíprocas serão de, ao menos, metade da alíquota cobrada pelos outros países, com uma taxa mínima de 10%.
No anúncio, ele fez críticas aos governos passados, em especial a administração de Joe Biden, por terem deixado outros países aplicarem elevadas taxas aos produtos norte-americanos, impactando a indústria nacional. Segundo ele, esses países “estão roubando” e “levando vantagem” dos EUA.
Câmara aprova Lei da Reciprocidade Comercial
A Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 2.088/2023, que cria a Lei da Reciprocidade Comercial, autorizando o governo brasileiro a adotar medidas comerciais contra países e blocos que imponham barreiras aos produtos do Brasil no mercado global.
O texto do PL já havia sido aprovado no plenário do Senado, por unanimidade. Agora, o texto segue para sanção presidencial.
O Artigo 1º do Projeto estabelece critérios para respostas a ações, políticas ou práticas unilaterais de país ou bloco econômico que “impactem negativamente a competitividade internacional brasileira”.
A lei valerá para países ou blocos que “interfiram nas escolhas legítimas e soberanas do Brasil”.
No Artigo 3º, fica autorizado o Conselho Estratégico da Câmara de Comércio Exterior (Camex), ligado ao Executivo, a “adotar contramedidas na forma de restrição às importações de bens e serviços”, prevendo ainda medidas de negociação entre as partes antes de qualquer decisão.
O prazo para que seja sancionada pelo presidente da República e entre definitivamente em vigor é de 15 dias úteis após a aprovação.

Momento é de reforçar o diálogo
O anúncio de tarifas adicionais de 10% sobre os produtos brasileiros, impostas pelo governo dos Estados Unidos, foi recebido com preocupação e cautela pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Segundo a instituição, é preciso fazer uma análise detalhada das medidas divulgadas pelo presidente norte-americano, Donald Trump, e insistir no diálogo para preservar uma relação bilateral histórica e complementar entre o Brasil e os EUA.
“Claro que nos preocupamos com qualquer medida que dificulte a entrada dos nossos produtos em um mercado tão importante quanto os EUA, o principal para as exportações da indústria brasileira. No entanto, precisamos fazer uma análise completa do ato. É preciso insistir e intensificar o diálogo para encontrar saídas que reduzam os eventuais impactos das medidas”, avalia Ricardo Alban, presidente da CNI.
A tarifa adicional de 10% anunciada pelos EUA afetará todos os países e entrará em vigor no dia 5 de abril. Foram anunciadas também tarifas mais altas para países com os maiores déficits comerciais com os EUA, como China (34%), União Europeia (20%) e Japão (24%), a partir de 9 de abril.
No caso de aço, alumínio, e veículos e autopeças, prevalecerá a tarifa de 25%, anunciada recentemente.
Estados Unidos são principal destino de exportações da indústria de transformação brasileira
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras da indústria de transformação, especialmente de produtos de maior intensidade tecnológica, além de liderarem o comércio de serviços e os investimentos bilaterais. Somente em 2024, a indústria de transformação brasileira exportou US$ 31,6 bilhões em produtos para os EUA. Nesse ano, a cada R$ 1 bilhão exportado para os EUA, foram criados 24,3 mil empregos, R$ 531,8 milhões em massa salarial e R$ 3,6 bilhões em produção.
Um levantamento da CNI destaca os produtos mais exportados pelo Brasil aos Estados Unidos. De 20 itens analisados, em 13, os EUA são os principais compradores do produto brasileiro.
Confira os principais produtos exportados aos EUA e a participação na exportação total:
- Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos - os EUA são destino de 11,5% das exportações do produto;
- Outros produtos semimanufaturados, de ferro ou aços, não ligados, contendo em peso < 0,25% de carbono, de seção transversal retangulares – os EUA lideram como destino de 74,5% das exportações desse produto;
- Ferro fundido bruto não ligado, contendo, em peso <= 0,5% de fósforo - os EUA lideram como destino de 71% das exportações do produto;
- Café não torrado, não descafeinado - os EUA são destino de 18% das exportações do produto;
- Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 15.000 kg, vazios - os EUA lideram como destino de 54,5% das exportações do produto;
- Pasta química de madeira de não conífera, à soda ou sulfato, semibranqueada ou branqueada - os EUA são destino de 14,7% das exportações do produto;
- Produtos semimanufaturados, de outras ligas de aços - os EUA lideram como destino de 94,9% das exportações do produto;
- Outros óleos de petróleo ou de minerais betuminosos e preparações, exceto desperdícios - os EUA são destino de 7,1% das exportações do produto;
- Aviões e outros veículos aéreos, de peso > 2.000 kg e <= 15.000 kg, vazios - os EUA lideram como destino de 97,4% das exportações do produto;
- Bulldozers e angledozers, de lagartas, autopropulsores - os EUA lideram como destino de 58,7% das exportações do produto;
- Carregadoras e pás carregadoras, de carregamento frontal, autopropulsores - os EUA lideram como destino de 57,3% das exportações do produto;
- Carnes de bovino, desossadas, congeladas - os EUA são destino de 4,6% das exportações do produto;
- Madeira de coníferas, perfilada - os EUA lideram como destino de 98% das exportações do produto;
- Óleos leves e preparações - os EUA lideram como destino de 46,7% das exportações do produto;
- Preparações alimentícias e conservas, de bovinos - os EUA lideram como destino de 59,7% das exportações do produto;
- Minérios de ferro aglomerados e seus concentrados - os EUA são destino de 12,8% das exportações do produto;
- Óxidos de alumínio, exceto corindo artificial - os EUA são destino de 13,8% das exportações do produto;
- Sucos de laranja não congelados, não fermentados, com valor Brix <= 20 - os EUA lideram como destino de 54% das exportações do produto;
- Outras partes para motores diesel ou semidiesel - os EUA lideram como destino de 30,8% das exportações do produto;
- Niveladores - os EUA lideram como destino de 45,3% das exportações do produto.

Raio-x das relações econômicas Brasil-Estados Unidos
- Tarifa de importação real aplicada pelo Brasil aos EUA: a tarifa média efetivamente aplicada aos produtos dos EUA exportados para o Brasil foi de apenas 2,7% em 2023, um percentual significativamente inferior à média da tarifa nominal brasileira, que é de 11,2%, conforme consolidado da OMC.
- Superávit no comércio de bens: na última década, os Estados Unidos nunca registraram um déficit comercial com o Brasil. O superávit acumulado no comércio de bens a favor dos EUA nos últimos dez anos alcançou US$ 91,6 bilhões;
- O Brasil se destaca como um dos poucos países entre as principais economias com os quais os EUA mantêm um superávit persistente no comércio de bens, contrastando com o déficit geral que o país norte-americano registra no comércio de bens com outros parceiros comerciais.
Com informações, Pedro Rafael Vilela, Agência Brasil; Fernanda Louise, Agência Brasil e Agência de Notícias da Indústria.
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