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Concentração de renda

Assalariado brasileiro levaria 109 anos para ganhar o que um bilionário ganha em um dia

Relatório da Oxfam revela que os bilionários enriqueceram, em média, US$ 2 milhões por dia

25/03/2025 - 10:09 Por Wilson Lopes

O relatório ‘Às custas de Quem: A Origem da Riqueza e a Construção da Injustiça no Colonialismo’, produzido pela organização não governamental (ONG) internacional Oxfam sobre concentração de renda e suas condições mostra que surgiram 204 novos bilionários no planeta em 2024 e o ritmo de enriquecimento dos super-ricos aumentou três vezes em relação a 2023. 

O relatório antecede o encontro anual do Fórum Econômico de Davos, que concentra diretores das principais instituições empresariais e líderes de governos em reuniões de negócios e lobby na cidade suíça.

Principais apontamentos:

  • Os bilionários, pouco mais de 2.900 pessoas, enriqueceram, em média, US$ 2 milhões por dia. 
     
  • Os dez mais ricos, por sua vez, enriqueceram em média US$ 100 milhões por dia. 
     
  • Alguém que receba um salário mínimo no Brasil demoraria 109 anos para receber R$ 2 milhões e, pela cotação atual, 650 anos para receber U$$ 2 milhões. 
     
  • Os 44% mais pobres do mundo vivem com menos de US$ 6,85 por dia.
     
  • Os 10% mais ricos, por sua vez, detém 45% de toda a riqueza do mundo.

Para efeito de comparação, o Produto Interno Bruto (PIB) Global, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), teve aumento de cerca de 3,2%, para uma população que a Organização das Nações Unidas (ONU) estima de 8 bilhões de pessoas. 

Segundo o Banco Mundial, o PIB Global era de US$ 33,86 trilhões em 2000, e chegou aos US$ 106,7 trilhões em 2023, ainda que com diminuição dos índices de extrema pobreza (aqueles que recebem menos de U$$ 2,15 por dia), que eram 29,3% da população mundial em 2000 e são ainda 9% da população nos dados de 2023. 

“Durante a pandemia, enquanto vimos pessoas perdendo tudo e tendo de ir morar na rua, surgiram dez novos bilionários no país. Essas pessoas estão se apropriando de riquezas que deveriam ser melhor divididas e não o são, pois temos um sistema fiscal que não taxa adequadamente essas riquezas e a transmissão por herança. Temos um país que favorece a evasão fiscal e elisão fiscal, enquanto o trabalhador não tem como evitar esses impostos e continua, com isso, inevitavelmente pobre, mesmo após toda a reforma feita sobre o consumo. A população pobre tem 70% de sua renda comprometida com o consumo, sobre o qual incidem impostos", explicou Viviana Santiago, diretora-executiva da Oxfam Brasil.

Favela do Cantagalo, no Rio de Janeiro: rendas dos 10% mais ricos não podem ser mais altas do que as dos 40% mais pobres (Freepik)

Em seu relatório, a Oxfam recomenda aos governos que ajam rapidamente para reduzir a desigualdade e acabar com a riqueza extrema, nas seguintes ações:

Reduzir radicalmente a desigualdade. Os governos precisam se comprometer a garantir que, tanto globalmente quanto ao nível nacional, as rendas dos 10% mais ricos não sejam mais altas do que as dos 40% mais pobres. De acordo com dados do Banco Mundial, reduzir a desigualdade poderia acabar com a pobreza três vezes mais rápido. Os governos também devem combater e acabar com o racismo, o sexismo e a divisão que sustentam a exploração econômica em curso.

Taxar os mais ricos para acabar com a riqueza extrema. A política fiscal global deve estar sob uma nova convenção tributária da ONU, garantindo que as pessoas e corporações mais ricas paguem sua parte justa. Os paraísos fiscais devem ser abolidos. A análise da Oxfam mostra que metade dos bilionários do mundo vive em países sem imposto de herança para descendentes diretos. A herança precisa ser taxada para desmontar a nova aristocracia.

Acabar com o fluxo de riqueza do Sul para o Norte. Cancelar dívidas e acabar com o domínio de países e corporações ricos sobre mercados financeiros e regras comerciais. Isso significa desmontar monopólios, democratizar as regras de patentes e regular as corporações para garantir que paguem salários dignos e limitem os salários dos CEOs. Reestruturar os poderes de voto no Banco Mundial, no FMI e no Conselho de Segurança da ONU para garantir uma representação justa dos países do Sul Global. Os poderosos frutos do colonialismo também devem enfrentar os danos duradouros causados por seu domínio colonial, pedir desculpas formalmente e fornecer reparações às comunidades afetadas.

Com informações, Guilherme Jeronymo, Agência Brasil.
@oxfambrasil

Acesse o relatório ‘Às custas de Quem: A Origem da Riqueza e a Construção da Injustiça no Colonialismo’>>


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