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Ano do Dragão

China registra aumento de recém-nascidos após 7 anos

Com aumento de 13,5% no número de casamentos e 9,5 milhões de recém-nascidos em 2024, país volta a aumentar a taxa de natalidade

5 MAR 2025 - 11H14 • Por Wilson Lopes
A China registrou 9,54 milhões de recém-nascidos no ano passado, um aumento de 520 mil em comparação com 2023 - Hu Panxue/Xinhua

A China registrou aumentos tanto nos recém-nascidos quanto na taxa de natalidade em 2024, após sete anos consecutivos de declínio, impulsionados por um ‘baby boom’ no Ano do Dragão pós-COVID e uma série de políticas favoráveis à natalidade, conforme divulgação da Xinhua, agência de notícias estatal do governo da República Popular da China.

O Departamento Nacional de Estatísticas (DNE) informou que a China registrou 9,54 milhões de recém-nascidos no ano passado, um aumento de 520 mil em comparação com 2023. A taxa de natalidade para 2024 atingiu 6,77 por mil pessoas, refletindo um aumento de 0,38 por mil em relação ao ano anterior.

Yuan Xin, vice-presidente da Associação de População da China e professor da Universidade Nankai, creditou o crescimento a um aumento nos registros de casamento após a pandemia de COVID-19, o Ano do Dragão e melhorias no sistema de apoio ao parto da China.

A China está prestes a encerrar o Ano do Dragão no calendário lunar chinês, que tradicionalmente apresenta um ‘baby boom’. O dragão, ou ‘loong’, é um símbolo de boa sorte na cultura chinesa e considerado o mais auspicioso entre os 12 animais do zodíaco.

Dados oficiais indicaram que aproximadamente 11,94 milhões de chineses se casaram pela primeira vez em 2023, um aumento de 13,52% em comparação com 2022, marcando o primeiro aumento no número de recém-casados desde 2014.

Analistas atribuíram a recuperação nos registros de casamento ao fato de que muitos recém-casados atrasaram os planos de casamento devido ao COVID-19.

"Como a maioria dos chineses ainda adere à tradição de se casar antes de ter filhos, espera-se que o aumento dos casamentos aumente a taxa de natalidade dentro de um a dois anos", disse Yuan. "Além disso, nossas políticas abrangentes de apoio ao parto estão começando a mostrar resultados."

Em 2015, a China encerrou sua política de filho único de décadas, concedendo a todos os casais o direito de ter dois filhos. Em 2021, essa política foi expandida para permitir que as famílias tenham um terceiro filho.

Posteriormente, os governos central e local introduziram uma série de medidas de apoio para construir uma sociedade mais favorável ao parto. Essas medidas incluíram a expansão dos sistemas de cuidados infantis e o fortalecimento da educação, moradia e apoio ao emprego.

O governo anunciou a implementação de políticas e subsídios para aumentar a taxa de natalidade da China, cuja população diminui há três anos consecutivos (Freepik)

Auxílio do governo

Conforme a Rádio e Televisão de Portugal (RTP), empresa pública portuguesa de rádio e televisão, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, anunciou, na sessão plenária anual da Assembleia Popular Nacional (APN), o órgão legislativo máximo da China, a implementação de políticas e subsídios para aumentar a taxa de natalidade e resolver o problema demográfico da China, cuja população diminui há três anos consecutivos.

Na ocasião, Li Qiang disse que o governo “fornecerá subsídios para os cuidados infantis, desenvolvendo serviços integrados de cuidados infantis e jardins-de-infância”. Atualmente, os elevados custos de educação dos filhos são um dos principais obstáculos citados pelos casais chineses para terem filhos.

Entre as propostas possíveis estão o alargamento da cobertura de seguro para as técnicas de reprodução medicamente assistida, o prolongamento da licença de paternidade ou mesmo a redução da idade legal do casamento para 18 anos (atualmente 22 para os homens e 20 para as mulheres), bem como a eliminação das restrições ao número de filhos, fixado em três a partir de 2021.

Vista aérea urbana da Nova Área de Lanzhou, na Província de Gansu, noroeste da China (Xinhua/Ma Xiping)

Taxa de urbanização

A taxa de urbanização da China, que mede a proporção dos residentes urbanos permanentes em relação à população total, subiu 55,5 pontos percentuais ante o final de 1949, para 66,1% no final de 2023, mostraram dados do DNE.

Ao longo dos últimos 75 anos, desde a fundação da República Popular da China, o país passou pelo maior e mais rápido processo de urbanização da história mundial, de acordo com um relatório do DNE.

Havia apenas 129 cidades na China no final de 1949, com uma população combinada de 39,4 milhões. O número de cidades atingiu 694 no final de 2023, enquanto as cidades em nível sub-regional e as maiores abrigavam 673,1 milhões de pessoas. 

Entre elas, havia 29 cidades com uma população superior a 5 milhões e 11 cidades com uma população superior a 10 milhões.

Fonte: Wikipedia

Notavelmente, a região oeste menos desenvolvida da China está crescendo, representando um processo de urbanização mais equilibrado. Entre as 11 cidades de nível sub-regional que foram adicionadas desde 2011, nove delas se localizam na região oeste.

Com o avanço na urbanização, a China suspendeu quase todas as restrições a cadastramento de residência familiar em cidades com menos de 3 milhões de residentes permanentes, tornando mais conveniente para as pessoas das áreas rurais se estabelecerem permanentemente nas cidades.

Com informações, XINHUA Português.
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